Estudo aponta possível efeito de “canetas emagrecedoras” contra Alzheimer
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 04/05/2026
Um estudo conduzido pela Anglia Ruskin University, publicado na revista Molecular and Cellular Neuroscience, aponta que medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” podem ter potencial no combate à Doença de Alzheimer.

A pesquisa analisou os efeitos dos análogos de GLP-1, classe de medicamentos utilizada no tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. O foco foi entender o impacto dessas substâncias sobre o acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau — elementos diretamente associados à degeneração neuronal característica da doença.
A revisão reuniu dados de 30 estudos pré-clínicos envolvendo fármacos como exenatida (Byetta), dulaglutida (Trulicity), liraglutida (Victoza e Saxenda) e semaglutida (Ozempic). Os resultados indicaram potencial de redução dessas proteínas, com destaque para a liraglutida, que apresentou os efeitos mais consistentes.
Segundo Simon Cork, chefe de fisiologia da instituição, os medicamentos podem atuar em múltiplos mecanismos da doença, incluindo redução da inflamação cerebral, melhora da sinalização de insulina no cérebro e interferência em processos que geram beta-amiloide.
Outros estudos reforçam essa linha de investigação. Pesquisadores da Case Western Reserve University observaram, em 2025, que a semaglutida pode reduzir o risco de demência em pacientes com diabetes tipo 2, com base na análise de mais de 1,5 milhão de pessoas.
Apesar dos resultados promissores, ainda há limitações importantes. A farmacêutica Novo Nordisk informou que testes clínicos com humanos, focados no uso da semaglutida para Alzheimer em estágio inicial, não apresentaram resultados relevantes. Isso sugere que o tratamento da doença provavelmente exige abordagens combinadas, e não uma solução isolada.
Especialistas destacam que, embora os dados apontem melhorias em biomarcadores — como o metabolismo da glicose no cérebro —, o impacto clínico real ainda não está comprovado. Por outro lado, o uso crescente desses medicamentos pode ampliar a base de dados e acelerar futuras descobertas.
Fonte: Forbes