No Dia do Cinema Brasileiro, veja alguns filmes nacionais premiados

Escrito por em 19/06/2021

No dia 05 de novembro de 1896, em uma sala alugada na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, o Brasil teve sua primeira exibição de cinema. As oito curtas obras, que surpreendiam a elite carioca, não passavam de cenas do cotidiano de algumas cidades europeias. Mas, assim como no resto do mundo, logo essas imagens se desenvolveram e os primeiros filmes foram rodados antes do início dos anos 1900.

Em 1896, em uma sala alugada no Rio de Janeiro, o Brasil teve a primeira exibição de cinema

Muitos desses longas não chegaram a ser exibidos, mas, pelo ineditismo do fato, são marcos do cinema nacional. O título Vista da Baía da Guanabara, por exemplo, produzido pelo cinegrafista italiano Affonso Segretto enquanto estava a bordo de um navio em 19 de junho de 1898, fez com que a data ficasse marcada como Dia do Cinema Brasileiro. No entanto, o cinema nacional também é celebrado em 05 de novembro, em homenagem à primeira exibição na história do país.

De qualquer forma, comemorar a cinematografia do Brasil duas vezes é uma atitude mais do que justa. Embora o país tenha passado por momentos de estagnação e atraso no setor, principalmente por questões políticas, o catálogo de filmes produzidos por aqui é rico e valorizado no mundo inteiro. Central do Brasil, lançado em 1998, foi a obra que inseriu a nação, definitivamente, no circuito mundial. Seu momento de glória fez parte do reflorescimento da produção brasileira, um período conhecido por historiadores como “cinema da retomada”.

Dirigido pelo bilionário Walter Salles e escrito por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, a obra narra a trajetória de Dora (Fernanda Montenegro), uma ex-professora frustrada que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas, na Central do Brasil, famosa estação de trem carioca, que ditam o que querem contar às suas famílias – no entanto, ela nunca coloca as mensagens no correio. O longa teve sua pré-estreia mundial em uma mostra regional de cinema na Suíça, seguido de uma exibição no Festival Sundance de Cinema, nos Estados Unidos.

A recepção da crítica internacional foi quase unânime: o filme recebeu um Globo de Ouro e foi a primeira produção brasileira a receber o Urso de Ouro, do Festival de Berlim. Além disso, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e responsável pela indicação de Fernanda Montenegro à estatueta na categoria de melhor atriz. A brasileira fez história, sendo a primeira latino-americana já indicada ao prêmio por uma atuação em língua portuguesa – para muitos, o fato de ela ter perdido o prêmio para Gwyneth Paltrow pelo filme Shakespeare Apaixonado foi a maior injustiça da história do Oscar.

O Brasil começou bem os anos 2000. Após Central do Brasil, Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003) e Tropa de Elite (2007) foram alguns dos títulos que conquistaram o grande público e ganharam enorme prestígio internacional pela crítica social e qualidade de produção.

Pelo bem do brasileiro, os tempos de glória não ficaram restritos à época de lançamento desses filmes. Nos últimos dez anos, diversos longas ganharam espaço no coração dos críticos e do público. Um exemplo disso é Bacurau, de 2019, talvez um dos destaques mais recentes do cinema nacional, que conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes daquele mesmo ano.

De Central do Brasil a Bacurau, confira, na galeria de imagens abaixo, 10 dos filmes nacionais mais premiados da história:

Central do Brasil (1998)

Um dos maiores marcos do cinema brasileiro, Central do Brasil narra a trajetória de Dora, protagonizada por Fernanda Montenegro, uma ex-professora que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas. No entanto, ela nunca coloca as mensagens no correio, apenas embolsando o dinheiro para si. Um dia, Josué, o filho de nove anos de uma de suas clientes, fica sozinho após a morte da mãe em um acidente de ônibus. Como o único contato próximo do menino, Dora reluta, mas se junta a ele em uma viagem pelo interior do Nordeste em busca do pai do garoto.

O filme recebeu um Globo de Ouro e foi a primeira produção brasileira a receber o Urso de Ouro, do Festival de Berlim. Além disso, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e foi responsável pela indicação de Fernanda Montenegro ao prêmio de melhor atriz – o Oscar não foi possível, mas a atriz recebeu um Urso de Prata por sua atuação.

Tropa de Elite (2007)

O primeiro longa de ficção do diretor José Padilha foi uma estreia com chave de ouro no mundo do cinema. Os acontecimentos do filme são narrados em primeira pessoa pelo Capitão Nascimento, protagonizado por Wagner Moura, da tropa de elite do Rio de Janeiro, designado para chefiar uma missão de apaziguamento no Morro do Turano. Através de seus passos, o espectador é apresentado a diversas reflexões sobre a violência do estado e o conflito entre traficantes e policiais. Reconhecida internacionalmente, a obra ganhou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim e também o prêmio na mesma categoria no Festival de Lisboa. Após o sucesso, o diretor decidiu lançar a sequência do longa, Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, que também foi indicado a diversos prêmios.

Cidade de Deus (2002)

Na obra dirigida por Fernando Meirelles e Kátia Lund, a narrativa acompanha a trajetória de Buscapé, um jovem pobre e negro que vive na favela carioca de Cidade de Deus e descobre ter talento como fotógrafo. É por meio de seu olhar, por trás das câmeras, que o cotidiano da comunidade, inclusive a rotina de violência, é apresentado ao telespectador. O filme foi um dos mais aclamados da história do cinema nacional, com mais de 20 indicações e premiações ganhas. No Oscar, foi indicado nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor fotografia, mas não levou as estatuetas. Já no BAFTA Awards, ganhou o prêmio de melhor edição.


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