Penny, a moeda de um centavo americano, é descontinuado após 232 anos em circulação

Escrito por em 14/11/2025

O tradicional penny, a moeda de um centavo dos Estados Unidos, foi oficialmente descontinuado na quarta-feira (12), encerrando 232 anos de circulação. O anúncio foi feito pelo Departamento do Tesouro, que justificou a decisão pelo alto custo de produção e pela perda de relevância no comércio contemporâneo.

Penny, a moeda de um centavo americano, é descontinuado após 232 anos em circulação – Imagem: Michael Langish/Shutterstock

O custo de fabricação de cada penny passou a superar o valor de face: mais de 3 centavos por unidade, tornando sua produção economicamente inviável. Além disso, com a inflação e a mudança nos hábitos de consumo, o centavo deixou de ter poder de compra até para itens simples, como balas e chicletes.

As últimas moedas foram cunhadas na tarde de quarta-feira (13), na Filadélfia, com a presença de autoridades do Tesouro. As casas da moeda de Denver e Filadélfia produzem as moedas de circulação e não circuladas, enquanto a unidade de São Francisco é responsável pelas versões proof, destinadas a colecionadores.

Introduzido em 1793, o penny foi uma das primeiras moedas criadas pela U.S. Mint, estabelecida um ano antes. Seu desenvolvimento é atribuído a Alexander Hamilton, primeiro secretário do Tesouro, responsável pelo Ato de Cunhagem que definiu o sistema monetário americano. Ao longo das décadas, porém, o penny se tornou cada vez menos utilizado, acumulando-se em gavetas, potes de troco e bandejas de “deixe um centavo” nos comércios.

O fim da moeda foi oficializado pelo presidente Donald Trump em fevereiro. No entanto, o penny ainda permanecerá em circulação por algum tempo: estima-se que cerca de 250 bilhões de unidades estejam espalhadas pelo país. À medida que desaparecerem, os comércios terão de arredondar transações em dinheiro para valores múltiplos de cinco centavos.

Com o fim do penny, cresce o interesse dos colecionadores pelo nickel (moeda de cinco centavos). Assim como o centavo, ele também enfrenta desvalorização de compra e custo de produção acima do ideal.

Mesmo após sua extinção, o termo “penny” permanecerá culturalmente forte. A palavra vem do inglês antigo “pennies”, derivado de “penning”, utilizada para moedas de baixo valor na Europa medieval. A tradição britânica influenciou a adoção do nome quando os EUA começaram a cunhar sua própria moeda.

A crença popular atribuía ao penny o poder de trazer boa sorte quando encontrado no chão. Ele também teve destaque cultural, citado em filmes como Penny Serenade e Serenata Prateada, músicas como Penny Lover, além de inspirar os famosos sapatos “penny loafers”, tendência que marcou gerações.

Ao longo de sua existência, o penny passou por diversas transformações de design e composição. O primeiro modelo, de 1793, trazia uma figura feminina simbolizando a liberdade e era feito de cobre puro. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1943, passou a ser produzido em aço revestido com zinco devido à escassez de cobre. A partir de 1982, adotou a composição atual de 97,5% zinco e 2,5% cobre.

Em 1909, o centavo passou a trazer a imagem de Abraham Lincoln, tornando-se a primeira moeda dos EUA a retratar um presidente. Desde 2010, o verso exibe o design “Union Shield”, simbolizando a preservação da unidade nacional.

Com uma longa história marcada por transformações estéticas, simbólicas e culturais, o penny se despede como uma das moedas mais icônicas já produzidas pela Casa da Moeda dos Estados Unidos.

Fonte: Forbes


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