Vendas de CDs crescem 45,7% nos EUA, mas muitos jovens não têm aparelho para reproduzi-los
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 28/10/2026
Os CDs estão ganhando espaço novamente nos Estados Unidos, mas nem todos os consumidores compram os discos para ouvir música. No primeiro semestre de 2026, as vendas do formato cresceram 45,7%, alcançando 17,5 milhões de unidades, segundo a Recording Industry Association of America (RIAA). De acordo com a Luminate, pouco mais da metade dos compradores da Geração Z e dos Millennials sequer possui um aparelho para reproduzir os CDs.

A retomada está relacionada a uma mudança na maneira de consumir música. Além de serem usados para ouvir álbuns, os discos físicos passaram a funcionar como itens de coleção, decoração e conexão com os artistas. O K-pop é um dos principais responsáveis por essa tendência, já que muitos lançamentos incluem photocards, pôsteres e livros de fotos. Alguns fãs compram diferentes versões do mesmo álbum para completar suas coleções, mesmo sem abrir as embalagens.
Outro fator é a possibilidade de apoiar financeiramente os músicos. Em meio ao domínio do streaming, a compra de álbuns físicos em lojas oficiais ou durante shows se tornou uma alternativa para contribuir diretamente com os artistas favoritos. Capas, encartes e edições especiais também atraem consumidores interessados em exibir os produtos em prateleiras e murais.
O preço é mais um elemento que favorece o formato. Com o vinil cada vez mais caro, o CD surge como uma opção mais acessível para quem deseja ter uma versão física de um álbum. A receita das vendas de CDs nos Estados Unidos, calculada pela RIAA com base no valor de atacado, aumentou 58,6% nos primeiros seis meses de 2026.
Segundo a Luminate, o álbum ARIRANG, do BTS, teve participação importante nesse resultado. Sem o lançamento, o crescimento do mercado teria sido mais modesto.
Apesar da alta, os CDs ainda representam uma parcela pequena da indústria musical norte-americana. No primeiro semestre de 2026, o formato respondeu por menos de 3% da receita total da música gravada no país, enquanto o streaming concentrou mais de 80%.
O cenário lembra a retomada do vinil, impulsionada também por consumidores que compram discos sem possuir uma vitrola. Agora, o colecionismo ajuda a explicar o retorno dos CDs, inclusive entre pessoas que não têm um aparelho para apertar o play.
Fonte: 89 FM