Facebook completa 22 anos: da rede universitária ao centro do debate global sobre poder e privacidade

Escrito por em 04/02/2026

Neste 4 de fevereiro de 2026, o Facebook completa 22 anos desde que foi lançado por Mark Zuckerberg, então um estudante de Harvard, ao lado de Chris Hughes, Dustin Moskovitz e Eduardo Saverin. O que começou como um simples diretório digital para conectar universitários se transformou em uma das plataformas mais influentes, e controversas, da história da internet.

Mark Zuckerberg – Criador do Facebook – Imagem: Meta

Antes mesmo do Facebook existir, Zuckerberg já chamava atenção em Harvard ao criar o Facemash, site que comparava fotos de estudantes e permitia votos de “mais atraente”. O projeto foi derrubado pela universidade por violar regras de privacidade, mas antecipou dois temas que acompanhariam toda a trajetória da empresa: engajamento em massa e limites éticos no uso de dados.

O Facebook nasceu oficialmente em 4 de fevereiro de 2004, inicialmente restrito a Harvard, e se expandiu rapidamente para outras universidades de elite dos Estados Unidos. Em poucos meses, já estava presente em Stanford, Columbia e Yale. A expansão acelerada coincidiu com o início de disputas judiciais, especialmente com os irmãos Winklevoss, que acusaram Zuckerberg de ter se apropriado da ideia do projeto ConnectU. O caso foi encerrado em 2008, com um acordo financeiro.

A virada definitiva veio em 2006, quando a rede foi aberta a qualquer pessoa com mais de 13 anos. A partir daí, o Facebook deixou de ser um espaço acadêmico e passou a moldar relações sociais, comunicação, política e publicidade em escala global. Em 2012, a empresa atingiu 1 bilhão de usuários ativos mensais, consolidando-se como a maior rede social do planeta. No mesmo ano, realizou seu IPO, um dos mais aguardados da história do mercado financeiro.

Ao longo da década seguinte, Zuckerberg buscou equilibrar crescimento com filantropia e poder institucional. Ele doou bilhões de dólares por meio da Chan Zuckerberg Initiative, assinou o Giving Pledge e foi eleito Pessoa do Ano pela revista Time. Paralelamente, o Facebook passou a enfrentar críticas crescentes sobre monopólio, impacto social e influência política.

O ponto mais crítico dessa trajetória ocorreu em 2018, com o escândalo da Cambridge Analytica, quando veio à tona o uso indevido de dados de milhões de usuários para fins de direcionamento político. O episódio colocou o Facebook no centro de investigações globais, audiências no Congresso dos Estados Unidos e discussões profundas sobre privacidade, democracia e regulação das big techs. Zuckerberg pediu desculpas publicamente e reconheceu falhas graves na proteção de dados.

Em resposta às crises e à necessidade de reposicionamento estratégico, Zuckerberg anunciou, em 2021, a mudança do nome da empresa para Meta, sinalizando uma aposta no metaverso e em novas formas de interação digital. A decisão marcou uma tentativa de ir além da imagem desgastada do Facebook, embora a rede social original continue sendo o principal produto da companhia.

Nos anos mais recentes, Zuckerberg passou a lidar também com pressões relacionadas à saúde mental de jovens, desinformação e responsabilidade social das plataformas. Em 2024, durante uma audiência no Senado dos Estados Unidos, pediu desculpas diretamente a famílias que afirmaram que seus filhos foram prejudicados pelas redes sociais, um gesto simbólico de reconhecimento do impacto real dessas tecnologias.

Ao completar 22 anos, o Facebook segue como um dos pilares da internet moderna: amado por sua capacidade de conectar pessoas, criticado por sua concentração de poder e constantemente desafiado a provar que inovação e responsabilidade podem caminhar juntas. A história de Mark Zuckerberg e do Facebook é, hoje, inseparável da própria história da era digital.

Fonte: ABC 7 News


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