Início do fim de Stranger Things entrega quatro episódios sólidos, mas sem grandes riscos
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 27/11/2025
A reta final de Stranger Things enfrenta um desafio comum às produções que chegam à última temporada: amarrar tramas, encerrar ciclos e entregar um desfecho satisfatório. Assim como precisou provar seu valor com um episódio piloto impactante em 2016, a série agora busca concluir sua história com consistência.

Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, a produção estreou na Netflix como uma aposta incerta, conduzida por cineastas pouco conhecidos. Contudo, a narrativa sobre um grupo de amigos que enfrenta desaparecimentos misteriosos e acolhe uma garota com superpoderes se tornou um fenômeno global, marcando profundamente a cultura pop nos últimos dez anos.
Ao longo das temporadas, a base de fãs e os índices de audiência cresceram. A segunda temporada não repetiu o impacto da primeira, mas a terceira trouxe uma estética mais vibrante e um universo em expansão. Já a quarta representou o auge da popularidade, sobretudo com a chegada do aterrorizante vilão Vecna/Henry, interpretado por Jamie Campbell Bower. “Foi muito empolgante… senti um grande senso de cuidado e dever com a série”, disse o ator à Rolling Stone Brasil.
A quinta temporada começa alguns meses após os eventos intensos do quarto ano. Hawkins está em quarentena, com intervenção do exército no portal para o Mundo Invertido aberto por Vecna, enquanto Max permanece em coma. O grupo — Hopper, Joyce, Lucas, Mike, Will, Dustin, Steve, Nancy, Jonathan e Robin — tenta se preparar para um possível novo confronto com o vilão, certificando-se de que ele realmente foi derrotado.
Apesar da escala maior e dos riscos ampliados, os quatro primeiros episódios não colocam totalmente essa grandiosidade em prática. Em vez disso, funcionam mais como uma reintrodução ao estado atual dos personagens e à situação de Hawkins, além de acompanhar a investigação sobre o paradeiro de Vecna e o interesse militar no Mundo Invertido.
As atuações seguem em bom nível, com destaque para Dustin, interpretado por Gaten Matarazzo, que vive a dor pela morte de Eddie Munson e se distancia do grupo, envolvendo-se em conflitos variados. Sua química com Steve continua sendo um dos pontos altos. Onze, por sua vez, tenta aprimorar seus poderes sob os cuidados de Joyce e a superproteção de Hopper. Já Steve e Robin criam uma rádio para entreter a cidade em isolamento e enviar mensagens secretas ao grupo.
Outro aspecto marcante neste início é o triângulo amoroso Steve–Nancy–Jonathan, que ganha novos desdobramentos antes que cenas cruciais envolvendo o Mundo Invertido entrem em destaque. Mesmo com Hawkins dividida e a presença do exército, o foco permanece no desenvolvimento individual dos protagonistas, deixando de explorar de forma mais profunda as mudanças na rotina e dinâmica da cidade.
Os quatro episódios mantêm o padrão da série em oferecer uma trama envolvente e personagens carismáticos, mas faltam consequências e riscos mais intensos, já que Vecna só ganha maior relevância na parte final. O início da temporada deixa a sensação de “quero mais”, enquanto prepara o terreno para um desfecho que promete ser brutal.
Como adiantou Jamie Campbell Bower à Rolling Stone Brasil: “Não. Fica. Mais. Fácil.”
Fonte: Rolling Stone