Estudo do MIT sugere que uso prolongado do ChatGPT pode afetar aprendizado e engajamento cerebral

Escrito por em 23/06/2025

Um estudo conduzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, aponta que o uso frequente de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, pode prejudicar o aprendizado ao longo do tempo. Os resultados, divulgados no dia 10 de junho, ainda não passaram por revisão por pares, mas levantam importantes questionamentos sobre o impacto dessas ferramentas na cognição humana.

Para chegar aos dados, os pesquisadores reuniram 54 voluntários entre 18 e 39 anos, divididos em três grupos: um utilizava o ChatGPT, outro utilizava buscadores comuns, como o Google, e o terceiro não contava com nenhuma tecnologia. Todos passaram por três sessões de redação ao longo de quatro meses, enquanto eram monitorados por eletroencefalograma (EEG) para avaliar níveis de engajamento cerebral e carga cognitiva.

Entre os principais achados do estudo:

  • Usuários do ChatGPT começaram utilizando a IA como apoio, mas passaram a delegar quase toda a produção textual à ferramenta, apenas copiando as respostas.
  • Os textos produzidos por esse grupo foram avaliados por professores como “sem alma” e apresentaram baixo engajamento cerebral, especialmente em áreas ligadas à criatividade e memória.
  • Os participantes que não usaram tecnologia demonstraram maior conectividade neural, engajamento e satisfação com os textos criados.
  • O grupo que utilizou buscadores teve desempenho cognitivo intermediário, mas superior ao grupo que utilizou IA.
  • Mesmo após trocar os papéis em uma quarta sessão, os participantes habituados à IA não conseguiram recuperar o desempenho dos outros grupos, evidenciando uma possível “dívida cognitiva”.

A coordenadora da pesquisa, Nataliya Kosmyna, alertou para o risco maior entre jovens usuários, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento. Por esse motivo, optou por divulgar os resultados antes da revisão formal.

Especialistas em saúde mental, como o psiquiatra Zishan Khan, reforçam a preocupação. Segundo ele, a dependência excessiva da IA pode enfraquecer habilidades como memória, resiliência e acesso a informações.

Apesar dos alertas, os pesquisadores ressaltam que mais estudos serão necessários para validar completamente as descobertas.

Fonte: Tecmundo


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