União Europeia suspende importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil

Escrito por em 03/09/2026

A exportação de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia (UE) está suspensa a partir desta quinta-feira (3). A medida inclui carne de frango, bovina e suína, além de ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos.

A suspensão ocorre em razão da aplicação da legislação europeia que restringe o uso de determinados antimicrobianos na produção animal, como antibióticos.

Em 2025, a União Europeia importou US$ 1,8 bilhão em produtos de origem animal do Brasil, o equivalente a 368,1 mil toneladas, segundo dados do Agrostat.

No setor de frango, a expectativa é de que a suspensão seja revertida em novembro, após a conclusão de uma auditoria europeia. Até lá, as perdas podem chegar a aproximadamente US$ 243 milhões, considerando a média mensal exportada pelo Brasil ao bloco neste ano, de US$ 97,136 milhões.

O Paraná é o principal estado brasileiro exportador de carne de frango. Em 2025, foram embarcadas 2.103.688 toneladas, correspondentes a 40,76% do total nacional. Santa Catarina aparece na segunda posição, com 1.201.818 toneladas, seguida por Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás.

Na carne bovina, o Paraná ocupou a décima posição entre os estados exportadores em 2025, com 46.819 toneladas.

De acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), o embargo europeu pode provocar um impacto superior a US$ 392,2 milhões por ano nas principais cadeias pecuárias do estado, especialmente na avicultura e na bovinocultura de corte.

O impacto sobre os preços no mercado brasileiro ainda é avaliado de maneiras diferentes por especialistas. O professor da Universidade de Brasília (UnB), José Luis Oreiro, afirma que o redirecionamento dos volumes destinados à Europa pode aumentar a oferta disponível no mercado interno e pressionar os preços das carnes de frango e bovina.

Já o especialista em comércio exterior Celso Figueiredo avalia que a suspensão não deve provocar impacto significativo nos preços internos, considerando a participação da União Europeia nas exportações brasileiras e a existência de outros mercados compradores.

Em resposta às exigências europeias, o Brasil adotou, desde 1º de julho, novos procedimentos para controlar o uso de antimicrobianos na cadeia de proteínas e em outros produtos de origem animal.

No caso do frango e do mel, a exclusão do Brasil da lista de fornecedores da União Europeia poderá ser revertida em novembro, após a conclusão da auditoria europeia e a análise dos resultados.

Para a carne bovina, entretanto, a restrição pode durar mais tempo, possivelmente até meados de 2028, devido ao período necessário para adaptação da cadeia às novas exigências.

Diante da suspensão, representantes do setor também avaliam alternativas para os volumes que deixarem de ser destinados à Europa. China, Estados Unidos, Oriente Médio e outros mercados asiáticos são apontados como possíveis destinos.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) informou que trabalha em conjunto com os demais elos da cadeia e presta suporte técnico ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nas negociações com as autoridades europeias.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também acompanha o processo de auditoria realizado pela missão europeia responsável por inspecionar o sistema brasileiro de produção de carne de frango.

Fonte: Brasil 61


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