Papa emérito Bento XVI morre aos 95 anos
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 31/12/2022
O papa emérito Bento XVI morreu, aos 95 anos, neste sábado (31), anunciou o Vaticano.
Ratzinger nasceu em 16 de abril de 1927 na cidade de Marktl, mas passou boa parte da infância e adolescência em Traunstein, perto da fronteira com a Áustria.
De família humilde e o mais novo de três irmãos, entrou para o seminário aos 12 anos e era fluente em diversas línguas, entre elas grego e latim. Mais tarde, fez doutorado em teologia na Universidade de Munique.
Ele foi escolhido papa no dia 19 de abril de 2005, após a morte de João Paulo II.
O nome adotado por Ratzinger foi o de Bento XVI.
Algum tempo depois, Bento XVI viria a ser o primeiro papa a renunciar em 600 anos, após a Igreja Católica se tornar alvo de escândalos envolvendo acusações de corrupção e pedofilia.
Eleição
Com a morte de João Paulo II, em 2 de abril de 2005, o Colégio de Cardeais articulou para iniciar as discussões para a escolha do novo papa.
Com 1.115 cardeais, as quatro votações foram realizadas, mas apenas no fim do dia de 19 de abril a chaminé do Vaticano soltou uma fumaça branca, anunciando assim a escolha de um novo pontífice.
Ratzinger foi anunciado como novo papa e decidiu ser chamado de Bento XVI. O nome foi oficialmente anunciado em 24 de abril de 2005, em uma missa especial realizada na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Por defender uma Igreja conservadora e fazer afirmações contrárias à adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, foi criticado por parte da imprensa.
Temas como aborto, pedofilia e homossexualidade também foram alvo de discussão.
Em documento registrado no site do Vaticano, o antigo papa chegou a impor restrições aos sacerdotes em seminários.
“A Igreja não pode admitir no Seminário e nas Ordens Sacras aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam profundas tendências homossexuais ou apoiam a chamada cultura gay”, comunicou.
Bento XVI também foi alvo de críticas quanto a casos de pedofilia envolvendo sacerdotes espalhados pelo mundo.
Acusado de omissão, o papa emérito teve que demitir diversos bispos e promoveu uma “limpeza” depois de um dos escândalos mais emblemáticos ser revelado.
O caso envolvia um padre mexicano que faleceu em 2008. O sacerdote Marcial Maciel abusou sexualmente de diversos seminaristas e teve filhos com inúmeras mulheres.
No final de seu pontificado, os escândalos aumentaram. Em 2012, foi a vez de documentos confidenciais da Igreja serem vazados para a mídia italiana, evidenciando a falta de transparência e acobertando casos de lavagem de dinheiro.
Cartas do próprio pontífice sobre temas sensíveis, como escândalos sexuais e intrigas internas, também foram expostas.
O caso foi batizado pela imprensa italiana de Vatileaks. O mordomo Paolo Gabriele, que trabalhava com o papa desde 2006, foi preso por ter sido responsável pelo vazamento dos documentos até então secretos.
Bento XVI também foi alvo de tentativas de agressão durante o período de governança. Um deles ocorreu em 2007, quando um homem ultrapassou o bloqueio de segurança da Praça de São Pedro e tentou entrar no veículo que transportava o papa entre os fiéis.
Uma mulher, Susanna Maiolo, também atentou contra Bento XVI duas vezes, em 2007 e 2008.
Na primeira ocasião, ela ultrapassou a segurança, mas foi detida antes. Já na segunda oportunidade, Maiolo chegou a puxar o papa, que caiu durante a Missa do Galo.
Ele não se feriu e continuou a celebração instantes após o atentado.
A renúncia ao papado
Em fevereiro de 2013, aos 85 anos, Bento XVI renunciou ao cargo. Em anúncio feito durante uma reunião com os cardeais, ele revelou o real estado de sua saúde.
“Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro.”
Com a renúncia formalizada no dia 28 de fevereiro de 2013, Bento XVI deixou oficialmente suas responsabilidades como o maior representante da Igreja Católica.
Ele foi substituído pelo argentino Jorge Mario Bergoglio, intitulado Francisco, em 13 de março de 2013.
Fonte: CNN