‘Artista’ gerada por IA assina contrato milionário com gravadora
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 25/09/2025
A inteligência artificial na música deixou de ser apenas um experimento para se tornar uma realidade comercial. A compositora Telisha Jones e sua criação digital, a artista Xania Monet, assinaram um contrato multimilionário de US$ 3 milhões com a Hallwood Media, empresa que representa produtores renomados como Murda Beatz e Sounwave.
O acordo marca um passo importante na monetização da música feita com IA, mas levanta questões sobre autenticidade, direitos autorais e transparência no setor.
Jones lançou o álbum “Unfolded” de Xania Monet em agosto, e a faixa “How Was I Supposed to Know?” já ultrapassou 5 milhões de reproduções no YouTube e Spotify. A voz da personagem digital tem semelhanças com Beyoncé e Alicia Keys, com sotaque sulista característico. Enquanto Jones escreve todas as letras, a plataforma de IA Suno é responsável por transformar os textos em canções completas.
O modelo, no entanto, envolve riscos. Muitos fãs não sabem que Xania Monet não é uma artista real, o que pode gerar reações negativas quando a informação se popularizar. Casos anteriores, como o do The Velvet Sundown — banda criada por IA que alcançou meio milhão de ouvintes mensais antes de cair em descrédito — servem como alerta para os desafios de sustentação desse tipo de projeto.
Além da recepção do público, a questão legal complica ainda mais o cenário. Gravadoras já processam empresas de IA por uso indevido de obras protegidas em treinamentos de modelos. O Escritório de Direitos Autorais dos Estados Unidos já deixou claro que não concederá direitos a criações em que os elementos expressivos são determinados por máquinas.
Apesar do sucesso inicial, o futuro de Xania Monet dependerá de como a indústria e o público irão lidar com os dilemas éticos e jurídicos que acompanham a ascensão da música gerada por inteligência artificial.
Fonte: Rolling Stone