Chico Buarque – Construção: a engenharia da poesia social
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 05/02/2026

Construção não é apenas uma música. É um projeto artístico meticulosamente pensado para causar desconforto, reflexão e impacto. Lançada em 1971, em pleno período da ditadura militar no Brasil, a canção se tornou um dos maiores símbolos da crítica social na música brasileira.
A história da música
A narrativa acompanha um operário comum em seu último dia de vida. Ele ama “como se fosse a última”, trabalha “como se fosse máquina” e morre “atrapalhando o tráfego”. Não há heroísmo. Não há luto. Há apenas rotina e esquecimento.
Chico constrói o personagem como o sistema constrói seus trabalhadores: funcionais, substituíveis e descartáveis.
A genialidade da letra
O grande diferencial de Construção está na forma. Os versos são longos, com métrica rigorosa, e terminam quase sempre com palavras proparoxítonas. A cada estrofe, Chico altera apenas essas palavras finais — e, com isso, muda completamente o significado da história.
Essa repetição calculada gera um efeito quase hipnótico, reforçando a ideia de alienação e mecanização da vida.
Música e contexto
Musicalmente, a canção cresce em camadas, tensão e densidade. Não há refrão fácil nem melodia confortável. É uma música que exige atenção — e recompensa quem escuta com profundidade.
Em um período de censura e repressão, Construção conseguiu dizer muito sem dizer diretamente, tornando-se um marco de resistência artística.
Legado
Mais de 50 anos depois, Construção segue atual. Continua sendo estudada em escolas, universidades e analisada como uma das obras mais complexas da música brasileira.
Esse som toca aqui na Máxima, mas você também pode ouvir ela na nossa playlist do Spotify: