Familiares de vítimas pretendem processar Netflix por série sobre tragédia na boate Kiss
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 30/01/2023
A Netflix lançou, na semana passada, a série Todo Dia a Mesma Noite, que conta a história do incêndio na Boate Kiss, uma das maiores tragédias do país. A trama é uma adaptação do livro-reportagem de mesmo nome, escrito por Daniela Arbex.
A produção rapidamente se tornou um dos assuntos mais falados da internet brasileira e chegou ao 1° lugar do Top 10 da Netflix.
Um grupo de pais de vítimas e também de moradores de Santa Maria, cidade gaúcha onde a tragédia aconteceu, está revoltado com a minissérie.
“Nós fomos pegos de surpresa, ninguém nos avisou, ninguém nos pediu permissão. Nós queremos saber quem está lucrando com isso. Não admitimos que ninguém ganhe dinheiro em cima da nossa dor e das mortes dos nossos filhos. Queremos entender quem autorizou, quem foi avisado, porque muitos de nós não fomos”, afirma o empresário Eriton Luiz Tonetto Lopes, que perdeu uma filha de 19 anos na tragédia, Évelin Costa Lopes.
“Há pais passando mal por causa da série. O mínimo que exigimos agora é que uma parte do lucro seja repassada para tratamento de sobreviventes e para a construção do memorial da Kiss. Nós não queremos nenhum dinheiro para nós”, continua.
Esse grupo de pais, que não faz parte da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, entrou em contato com a advogada Juliane Muller Korb para obter apoio jurídico e questionar qual a destinação do dinheiro arrecadado pela Netflix.
“Todas as famílias sentem a mesma dor, mas de forma distinta, inclusive em relação a esta série. Todas têm mágoa com o poder judiciário e com a impunidade até aqui. A grande questão é que faltou sensibilidade, por parte da Netflix, de fazer um contato com os pais. Não para pedir permissão nem coibir a licença poética, pois a história não tem dono, mas para avisar que seria algo totalmente diferente de tudo que eles já viram”, diz a advogada.
“Eles estavam preparados para um documentário, não para uma série dramática. Os pais e os sobreviventes estão ‘acostumados’ a ver materiais jornalísticos, com reproduções e relatos fidedignos. Mas, a série é diferente. O impacto foi muito forte porque é uma simulação, uma reprodução, com rostos diferentes, com atores. Eles estão ‘acostumados’ com o pós-tragédia. E a série mostra o antes, então, é como se ocorresse de novo. É uma linha muito tênue entre ficção e realidade”, opina Juliane.
Fonte: GZH