Dia do Ceramista é comemorado neste sábado
Escrito por Redação Máxima FM 90,9 em 28/05/2022
Uma técnica milenar que nasceu da necessidade do dia a dia. Buscando utensílios que pudessem ajudá-lo nos afazeres, o homem descobriu na habilidade de moldar a matéria prima com as mãos uma arte que sobrevive até hoje e se reinventa sempre.
Com a habilidade, nascia também a criatividade de transformar e inventar. De simples artefatos que atendiam às necessidades básicas, o ser humano despertou o imaginário para o belo e o decorativo, aliados ao usual. A partir daí, a imaginação ganhou asas e não houve mais limites.
Com o avanço da tecnologia, as técnicas para produzir cerâmicas se modernizaram e a escala produtiva foi a números antes inimagináveis. E rompeu fronteiras. Ganhou cores, desenhos, estampas, relevos e uma infinidade de possibilidades. Em certas regiões do país, como no Sul de Santa Catarina, é uma das atividades que mais impulsionam a economia.
Aproveitando a data especial, a Máxima conversou com Manu Vicari, ceramista vividense, e ela explicou um pouco o ceramismo.
Máxima: que trabalhos faz um ceramista?
Manu Vicari: o ceramista é o profissional ou aluno que trabalha com argila. Ele pode ser tanto um escultor, trabalhar com torno elétrico, ou fazer à mão, como é o meu caso. O ceramista pode fazer vasos, utensílios domésticos, adornos, brincos, colares, objetos decorativos. É bem amplo o campo.
Máxima: e como você conheceu esse trabalho e entrou nele? Como iniciou tudo isso?
Manu Vicari: iniciei pelo meu gosto com plantas e projeto de ser paisagista. Olhava os vasos de cerâmica e achava aquilo incrível. Fui pesquisar no YouTube e parecia muito fácil. Aí, fui atrás de cursos e percebi que é totalmente o oposto (kkkkk), mas já estava apaixonada por esse universo e continuei estudando…
Máxima: aqui na nossa cidade e região existem mais ceramistas? Você conhece pessoas que trabalham com isso?
Manu Vicari: então, aqui na região eu só conheço uma pessoa além de mim, ela mora em Francisco Beltrão. Além disso, já cheguei a pesquisar, mas não conheço.
Máxima: quais são os tipos de materiais envolvidos no ceramismo? Quais você usa?
Manu Vicari: bom, como é bastante amplo o campo da cerâmica, vou falar sobre o que faço. Primeiro, a gente precisa ter a argila. Mas, para trabalhar com a argila, tem muitos detalhes preciosos. Por exemplo, você sova ela como um pão, com as mãos. Aí, depois estica como uma pizza, com um rolo de madeira. Pode moldar com as mãos, com moldes de madeira e de gesso. Tem os utensílios que chamamos de estecas. Depois de tudo pronto, você coloca para secar, em cima de uma placa de MDF ou madeira. E “esquece” em um quarto escuro com plástico em cima. Depois de secas, que demoram em torno de 2 a 3 semanas no nosso clima (verão demora umas 2 e inverno de 3 a 4), você faz uma primeira queima. Nessa queima, você vai extrair a água existente na argila. Ela vai até 900 graus geralmente e demora em torno de 8 a 9 horas. Eu utilizo um forno próprio para cerâmica, elétrico. Mas, tem gente que monta seu próprio forno a gás.
Máxima: ao todo, com a preparação, secagem e tudo mais, quanto tempo leva para uma peça ficar pronta?
Manu Vicari: depois dessa primeira queima, chamamos a peça de biscoito. Ela estará bem porosa (assim como os vasos de cerâmica que vemos em gardens e floricultura), então, quando queremos transformar em algo utilitário, ou colocar cor, nós esmaltamos as peças. Geralmente, o esmalte vem em pó e dissolvemos em água e passamos várias camadas nas peças. Feito isso, voltamos com a peça para o forno e agora novamente queimamos ela. Existem vários tipos de queimas de esmalte também. Mas, as comuns são com esmaltes de “baixa temperatura”, até uns 980 a 1000 graus. E também tem o esmalte de “alta temperatura”, que vai a 1240 graus. Esse você pode colocar em pratos, xícaras, utilitários alimentícios. Ele se funde tanto que você não consegue dividir o esmalte da argila. Vira uma coisa só, é um trabalho artesanal e é impressionante o processo. Eu diria que se você tem uma produção ativa, em que você trabalha apenas com isso, em um mês você consegue fazer várias peças.
Máxima: qual o sentimento que você tem pelas peças que você faz? Seja para você ou pra outras pessoas.
Manu Vicari: eu me sinto muito bem fazendo cerâmica, trabalhar manualmente relaxa, tira os problemas da cabeça, você se concentra no que realmente importa. estar no atelier é muito prazeroso. Acompanhar todo o processo da peça, desde o pensamento, a execução, até ficar pronto… Eu falo que são meus filhinhos, que eu os criei. Fico muito orgulhosa do resultado na maioria das vezes, noutras, aprendizado. E gosto também de pensar no cuidado, no carinho com que meus clientes colocam à mesa quando optam por peças artesanais. Meu atelier sempre está aberto à visitação, para as pessoas entenderem todo o processo, amo explicar para todo mundo, para que entendam o motivo de cada peça ser única. Cada peça é única, como cada um de nós é. Cada defeitinho e cada peculiaridade que temos, a cerâmica também tem.
No Instagram @manuceramicas você encontra mais fotos do trabalho da Manu.
